Cirurgia plástica – quanto tempo para formação de um cirurgião plástico, quais os procedimentos mais procurados? Quais os cuidados pós-cirúrgicos?

Entrevista com o médico especialista Dr. Vítor Eduardo revela estas e outras questões em relação à cirurgia plástica.

Ele formou-se em medicina em 2002 pela Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG e, desde então, não parou mais de se dedicar à profissão. Nos anos seguintes, especializou-se em cirurgia geral pelo Serviço de Cirurgia Geral do Hospital da Baleia em Belo Horizonte – MG e, entre 2005 e 2007, em cirurgia plástica pelo Serviço de Cirurgia Plástica da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais-FHEMIG. Por 05 anos, ele foi cirurgião plástico do Corpo Clínico do Hospital de Pronto Socorro João XXIII em Belo-Horizonte MG e desde 2008 possui o seu próprio Centro de Cirurgia Plástica em Sete Lagoas, junto ao seu irmão gêmeo, Dr. Sérgio Eduardo de Menezes e Souza – a clínica Geminus – nome que surgiu da ideia de dois cirurgiões plásticos, irmãos gêmeos, trabalharem juntos. Abaixo, segue um bate papo sobre cirurgia plástica e curiosidades da área.

A formação completa em Cirurgia Plástica requer muito tempo e dedicação. O que te levou a optar por essa área?

Inicialmente, a definição por uma especialidade cirúrgica foi acontecendo naturalmente durante os anos de faculdade por afinidade aos temas e a rotina cirúrgica. A escolha pela cirurgia plástica foi por se tratar de uma área abrangente, com ênfase no tratamento reparador e estético que pode produzir profundas transformações nas vidas das pessoas, trazendo de volta a confiança, o restabelecimento de uma função corporal perdida e a alegria de viver.

Além da graduação, qual o tempo para formação de um cirurgião plástico?

A formação em Cirurgia Plástica exige do médico dois anos de treinamento em Cirurgia Geral, além de três anos em treinamento exclusivo em Cirurgia Plástica. Ao final deste período é necessário fazer uma prova para conseguir o credenciamento junto à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Resumindo, são 11 anos de formação: 6 de graduação em Medicina, 2 de treinamento em Cirurgia Geral e 3 de treinamento em Cirurgia Plástica.

Há uma idade recomendada para realizar uma cirurgia plástica?

Em geral, para as cirurgias estéticas no paciente adulto, não há uma idade recomendada. A orientação é procurar uma avaliação quando houver uma queixa específica. Para algumas cirurgias na infância existe uma recomendação própria: a otoplastia para correção da orelha em abano em crianças, por exemplo, deve ser realizada após os 7 anos de idade.

Quais são as Cirurgias Plásticas mais procuradas na clínica Geminus?

As cirurgias mais procuradas pelo público feminino são as mamaplastias com prótese e a lipoaspiração. Já pelo público masculino são as cirurgias das pálpebras e cirurgia da calvície.

A Cirurgia Plástica atua na reparação e estética. Basicamente, qual é a principal diferença entre elas? Uma possui mais riscos do que a outra?

Teoricamente, uma queixa estética refere-se a uma perda de proporções em alguma região anatômica, porém, sem deformidade local ou incapacidade no exercício de alguma função corporal. Por exemplo, uma paciente com mamas pouco desenvolvidas que desejam aumentá-las para melhorar a sua autoestima. Já a queixa reparadora envolve a uma deformidade corporal oriunda de um trauma ou de uma causa congênita (durante o desenvolvimento embrionário) podendo ou não estar associado a uma incapacidade funcional. Por exemplo, uma pessoa vítima de queimadura no cotovelo com incapacidade de movimentar o braço devido a retração cicatricial da queimadura. Na prática, a dissociação entre reparador e estético é muito relativo, pois o cirurgião procura, a todo momento, obter sempre o melhor resultado estético aliado a uma melhor função corporal possível. Não há diferença em termos de riscos na execução um ato cirúrgico reparador ou estético.

Qual a diferença entre o médico especializado em cirurgia plástica e o da medicina estética?

O médico verdadeiramente especialista em Cirurgia Plástica está vinculado à duas entidades que regulamentam e fiscalizam o exercício profissional – o Conselho Regional de Medicina e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Ambas as entidades disponibilizam site na internet para consulta pública acerca da formação profissional.

Já os profissionais que se intitulam especialistas em medicina estética tentam, na verdade, exercer algumas áreas profissionais participando de cursos de fim de semana sem o rigor do treinamento e formação das especialidades médicas vinculadas ao Conselho Regional de Medicina e Associação Médica Brasileira – uma vez que a medicina estética não é especialidade reconhecida pelas duas entidades supracitadas.

Quais os principais perigos aos pacientes que se submetem aos tratamentos com não-especialistas médicos?

O principal risco é este profissional não apresentar formação adequada para o tratamento solicitado, ou seja, ele não é especialista credenciado por órgãos reguladores para o exercício de uma área profissional, o que aumenta o risco de resultados desfavoráveis ou complicações.

Homens e mulheres têm vivido mais e, a cada ano, a expectativa de vida no Brasil cresce de 1 a 2 pontos. Na área de atuação de vocês, o que tem levado as pessoas a confiarem cada dia mais na possibilidade de realizar uma cirurgia plástica?

Com o aumento da expectativa de vida, a população, em geral, deseja viver mais e melhor. Significa sentir-se bem consigo mesmo aumentando a autoestima. E nesse aspecto, a Cirurgia Plástica contribui com o envelhecer saudável, disponibilizando técnicas cada vez mais seguras e menos invasivas.

Qual o tempo de internação para uma intervenção? Toda intervenção exige anestesia geral ou pode ser feita com anestesia local?

Na maioria dos procedimentos os pacientes internam pela manhã e recebem alta no final da tarde. Os procedimentos cirúrgicos podem ser realizados sob anestesia local, peridural ou geral, na dependência do segmento corporal operado, do tempo cirúrgico e da avaliação do anestesista.

O que vocês aconselhariam a alguém antes de tomar a decisão de fazer plástica?

Refletir sobre o que te incomoda. Não se deve submeter a uma cirurgia por influência de outras pessoas. Outra dica fundamental é pesquisar sobre o Cirurgião e sua equipe. Verificar se o mesmo é realmente especialista em Cirurgia Plástica (inclusive pesquisando no Conselho Regional de Medicina e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica). E, finalizando, procurar saber de outras pessoas operadas sobre o comprometimento do médico; além de passar pela avaliação propriamente dita e se certificar se o profissional lhe transmite confiança.

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